{"id":68,"date":"2010-02-10T00:37:29","date_gmt":"2010-02-09T23:37:29","guid":{"rendered":"http:\/\/jornal.esc-joseregio.pt\/?page_id=68"},"modified":"2013-11-03T19:32:49","modified_gmt":"2013-11-03T18:32:49","slug":"editorial","status":"publish","type":"page","link":"http:\/\/jornal.esc-joseregio.pt\/?page_id=68","title":{"rendered":"Editorial"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>(publicado no JR n.\u00ba 4 de Fevereiro de 2003)<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Anda um espectro pelo mundo \u2014 o espectro da <em>globaliza\u00e7\u00e3o<\/em>. O mercado mundial \u00e9 hoje uma realidade: n\u00e3o h\u00e1 dona de casa que n\u00e3o o saiba j\u00e1, quando, com porte \u00e9pico, desliza pelas \u00abgrandes superf\u00edcies\u00bb (oh! hom\u00e9rica express\u00e3o!) com o seu carrinho de compras. Ei-lo pleno de produtos das mais variadas partes: das bananas da Col\u00f4mbia \u00e0 carne da Nova Zel\u00e2ndia, passando pelo bacalhau da Noruega, n\u00e3o tem conta o estendal multil\u00edngue de toda a mercaria do universo.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o se trata apenas de um processo econ\u00f3mico. Estamos perante uma din\u00e2mica nunca vista de homogeneiza\u00e7\u00e3o cultural: uma <em>americaniza\u00e7\u00e3o<\/em> selvagem de h\u00e1bitos e costumes. Assistimos at\u00e9 a uma esp\u00e9cie de coloniza\u00e7\u00e3o do imagin\u00e1rio \u00e0 escala planet\u00e1ria, da qual, ali\u00e1s, Hollywood \u00e9 o melhor instrumento, porquanto o cinema se tornou no \u00abm\u00e1ximo produtor de ideologias mercantilizadas do s\u00e9culo XX\u00bb (<em>M. Canevacci<\/em>). Na verdade, a ind\u00fastria audiovisual, \u00abem vez de ajudar didacticamente a compreender, amplia desme-suradamente o mecanismo de <em>n\u00f3s<\/em> e <em>os<\/em> <em>outros<\/em> (<em>in&#8211;group<\/em> \u2014 <em>out-group<\/em>), gra\u00e7as tamb\u00e9m ao poder persuasivo da imagem\u00bb (<em>idem<\/em>). Da\u00ed que as reac\u00e7\u00f5es identit\u00e1rias contra o fen\u00f3meno da globaliza\u00e7\u00e3o juntem numa mesma am\u00e1lgama militantes de extremos opostos: \u00abnacionalistas\u00bb de direita e \u00abmulticulturalistas\u00bb de esquerda.<\/p>\n<p>Assim sendo, numa \u00e9poca em que o fluxo an\u00f3nimo do capital financeiro, circulando \u00e0 velocidade da luz, e as tomadas de decis\u00e3o de gestores sem rosto das empresas multinacionais determinam \u2014 sem qualquer controlo democr\u00e1tico \u2014 o destino da arraia-mi\u00fada da Terra, achamos por bem propor como tema de capa deste n\u00famero um motivo \u00e0s avessas do \u00abcinzentismo\u00bb reinante: <strong>Her\u00f3is do Nosso Tempo<\/strong>. S\u00e3o eles, segundo os artigos publicados, sujeitos cujo retrato engrandece quem os reencontra no seu pr\u00f3prio esp\u00edrito: Jesus de Nazar\u00e9, Capit\u00e3o Salgueiro Maia, Martin Luther King, Gago Coutinho, Madre Teresa de Calcut\u00e1 \u2014 e tantos outros.<\/p>\n<p>Neste contexto, claro est\u00e1, ganha especial significado a homenagem a um homem desta casa: o professor Sousa Pereira. E em tempos de mercantiliza\u00e7\u00e3o do saber, agora reduzido \u00e0 moeda corrente da informa\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso insistir nesta nota: chegou o momento de reconhecer os her\u00f3is que h\u00e1 entre n\u00f3s&#8230;<\/p>\n<p>Esperamos portanto que o \u00abJR\u00bb, que \u00e9 <em>de<\/em> todos e <em>para<\/em> todos os membros da comunidade educativa, cumpra deste modo um dos seus principais objectivos: promover o debate interno de ideias.<\/p>\n<p><em>Last but not least<\/em>: uma palavra de agradecimento a quem connosco colaborou com toda a gentileza e empenho, tornando assim poss\u00edvel a publica\u00e7\u00e3o do quarto n\u00famero do \u00abJR\u00bb. Muito obrigado!<\/p>\n<p><em>Eurico Carvalho<\/em><\/p>\n<div><span style=\"font-family: 'Berthold Akzidenz Grotesk BE', 'Times New Roman', 'Bitstream Charter', Times, serif; font-size: xx-small;\"><em><br \/>\n<\/em><\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(publicado no JR n.\u00ba 4 de Fevereiro de 2003) Anda um espectro pelo mundo \u2014 o espectro da globaliza\u00e7\u00e3o. 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