No dia 12 de Março de 2013, pelas 9.30h, aconteceu Leitura no ginásio. Tratou-se de uma
actividade integrada na Semana da Leitura, em que se pretendia que se criasse um momento de leitura coletiva silenciosa em ambiente de sala de aula.
Assim, foi colocado em lugar visível um texto de Rui ZinK sobre o Mar, e procedeu-se à sua leitura acompanhada por um fundo musical e coreografada por dois dançarinos, os professores da escola Frei João, Pedro Carvalho e Flora Rodrigues que se associaram a esta iniciativa. Previamente a coordenadora da Biblioteca lembrou às cinco turmas presentes a importância da leitura. Foi um momento de grande beleza e concentração que a todos sensibilizou.
Naquela época eu tinha medo do silêncio e não percebia que não havia mal nenhum em ficar em silêncio a meio de uma conversa, ou mesmo em não ha-ver conversa entre duas pessoas que vão lado a la-do. O silêncio é como o mar. Envolve-nos, e pode submergir-nos, se não soubermos lidar com ele, mas pode também embalar-nos, se perdermos o medo e nos deixarmos ir. Em ambos, mar e silêncio, nada pior do que esbracejar de pânico.
Rui Zink
[Portugal, 1961]
Ó mar salgado, quanto do teu sal São lágrimas de Portugal! Por te cruzarmos, quantas mães choraram, Quantos filhos em vão rezaram! Quantas noivas ficaram por casar Para que fosses nosso, ó mar! Valeu a pena? Tudo vale a pena Se a alma não é pequena. Quem quer passar além do Bojador Tem que passar além da dor. Deus ao mar o perigo e o abismo deu, Mas nele é que espelhou o céu.
Fernando Pessoa
[Portugal, 1888-1935]
Mar
Metade da minha alma é feita de maresia.
Mar
De todos os cantos do mundo Amo com um amor mais forte e mais profundo Aquela praia extasiada e nua, Onde me uni ao mar, ao vento e à lua.
(…) Espero sempre por ti o dia inteiro, Quando na praia sobe, de cinza e oiro, O nevoeiro E há em todas as coisas o agoiro De uma fantástica vinda. As ondas quebravam uma a uma Eu estava só com a areia e com a espuma Do mar que cantava só para mim.
Sophia de Mello Breyner Andersen
[Portugal,1919-2004]





