

“O bom filho à casa torna” é o que se poderá dizer da vinda do escritor Valter Hugo Mãe à Escola Secundária José Régio, que frequentou, durante seis anos, do 7º ao 12º ano. Foi exatamente pela lembrança desses anos e até pela presença de antigos professores seus, que se iniciou uma interessante conversa com o escritor, de reconhecida fama já internacional, e que tanto agradou ao público presente, constituído essencialmente por alunos e professores da escola, bem como pela Drª Elisa Ferraz e pela Drª Marta Miranda que também quiseram prestigiar o encontro com a sua presença.
Num estilo despojado mas profundo, Valter Hugo Mãe correspondeu inteiramente às expectativas de todos, respondendo às questões relacionadas com a sua formação e o início da sua carreira literária. Do menino sonhador que utilizava a escrita como algo intrínseco à sua natureza, até ao escritor consagrado, deixou a mensagem que é importante não desistir dos sonhos, quando temos a certeza do que queremos, mesmo que tenhamos que ultrapassar muitas dúvidas e até críticas dos que nos rodeiam.
Respondeu essencialmente às questões colocadas pelos alunos do Clube de Leitura que andam a ler os seus livros. Destes destacaram-se, pelo interesse suscitado, A Desumanização e A Máquina de Fazer Espanhóis. Do primeiro, realçou a sua experiência na Islândia, ilha onde decorre a ação do romance e do segundo a forma como a sociedade encara os idosos e a velhice.
Questionado acerca da forma como se processa nele a criação literária, respondeu que escolhe os temas dos seus romances exatamente pela possibilidade que estes lhe dão de vivenciar novas experiências e aprofundar questões ou situações que lhe são estranhas, num processo simultâneo de conhecimento e de criação literária que o leitor também poderá vivenciar.
Foi , sem dúvida, um encontro muito enriquecedor para todos, um voltar às “origens” e uma forte passagem de testemunho a uma nova geração de jovens que, conforme se pôde verificar, já podiam ser seus filhos, pois alguns dos alunos presentes eram filhos de colegas de turma do escritor.
No final, decorreu a habitual sessão de autógrafos que comprovou popularidade do “nosso” escritor, a quem agradecemos a simpática presença, esperando que seja a primeira de muitas.
20 de janeiro de 2014
Maria Rosa Azevedo


