Com a devida vénia, aqui reproduzimos a notícia que a Agência Lusa emitiu sobre a inclusão das Rendas de Bilros como disciplina curricular nas turma do ensino vocacional:
«Uma disciplina relacionada com a aprendizagem das tradicionais Rendas de Bilros de Vila do Conde integra este ano o plano curricular dos alunos 8.º e 9.º ano do ensino vocacional da Escola Secundária José Régio.
A atividade já existia há alguns anos neste estabelecimento de ensino como uma matéria extracurricular. Mas, neste ano letivo, passou a fazer parte do programa de ensino, e, como qualquer outra disciplina, está sujeita a avaliação.
“Antes, não havia horários a cumprir e os alunos interessados aproveitavam os minutos livres que tinham para virem à aula. Agora, vão cumprir regras, módulos, aulas e presenças. No final, serão avaliados com uma nota”, disse a docente da disciplina, Teresa Pimenta. A professora, que já ensina esta arte há dezenas de anos, garantiu à Lusa que o facto da disciplina de Rendas de Bilros fazer parte do plano curricular torna “o seu ensino um desafio maior”.
“Sinto que estou a começar do zero, é um modo diferente de ensinar. Por tradição, o ensino da Renda de Bilros é mecanizado e individual, mas agora tento que não seja assim, temos de trabalhar em grupo. Será um desafio coordenar, manter os alunos motivados”. Teresa Pimenta revelou que os alunos têm aprendido “rápido e fazem a atividade com gosto”.
“Tenho alunos que já compraram o próprio material [almofada e bilros] para continuarem depois em casa a fazer”, disse.
Segundo a docente, muitos dos jovens naturais de Vila do Conde, onde esta arte tem uma grande tradição, “não sabem o que é a Renda de Bilros”, considerando por isso, “muito importante este ensino e passar de testemunho, para manter as tradições da localidade”.
Américo Gabriel, aluno, mora em Caxinas e não conhecia as Rendas de Bilros. “Ninguém faz isto na minha família, e eu nem sabia o que era”, disse. Confessou, no entanto, que está contente por aprender: “Eu pensava que era aborrecido, mas não é. Gosto, é uma coisa nova, é bonito e é bom aprender”.
O diretor da escola, António Almeida, contou que a aposta no ensino desta arte como disciplina surge da experiência dos anos anteriores. “Tendo em conta a experiência que tivemos no ano passado, quando alargamos a Renda de Bilros não só aos alunos do ensino especial mas a outros alunos, propusemos aos nossos superiores integrar a disciplina no ensino vocacional”.
Segundo o diretor, “qualquer escola tem a obrigação de preservar aquilo que faz parte da história da localidade onde está inserida”. António Almeida explicou ainda que “os cursos de ensino vocacional, ao contrário do profissional, pretendem dar a conhecer as várias áreas aos alunos, possibilitando a experimentação e enriquecimento pessoal e, mais tarde, apontem um caminho profissional”.


