Jornal da Escola Secundária José Régio – Vila do Conde
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Projeto SHOÁ – Palestra sem palavras

Os professores Carlos Amorim e José Pedro Martins organizaram uma exposição com o título “O humano desumano Ainda humano” – Palestra sem palavras, no âmbito do projeto SHOÁ a decorrer na nossa escola durante este ano letivo, cujo texto de apresentação aqui reproduzimos:

«Aqui, aquele a que chamamos homem é capaz de tudo, mesmo de deixar de o ser

Foi este testemunho, enterrado no campo de Treblinka por uma vítima do Holocausto, que nos levou ao título da exposição/instalação/mostra fotográfica que montamos.

O título “O humano desumano Ainda humano” pode causar estranheza pelo jogo de palavras e de sentidos que encerra, e até mesmo pela sua grafia, mas é este humano despojado da sua essência pelos acontecimentos que se converte em desumano, Ainda que humano (agora corretamente grafado) o seja.

Por outro lado, ao nos referirmos a uma Palestra sem palavras, prolongamos essa estranheza. É a sua desagregação do conceito com o seu significado. Mas o tema da palestra é desagregador. Porventura haverá palavras para dizer o Holocausto? E que palavras? E quantas palavras? Chegarão todas as palavras para o dizerem?

Alargamos a estranheza à própria montagem. Embora siga uma ideia prévia, ela foi feita em função da relação possível entre os diferentes elementos envolvidos e o espaço. Não é uma exposição uniforme, nem uma instalação tout court, nem por si só uma mostra de fotografias.

Uma vez mais pretendemos jogar… jogar com o diálogo entre os diferentes sentidos de cada uma dessas expressões, desvirtuados pelo conjunto e pela disposição dos objetos.

Por fim, e para quem nos vem ver, importa dizer que não queremos chocar. O choque pode ser paralisante – se bem que num momento posterior a consciência desperte e as emoções apareçam. Mas as emoções são passageiras.

Não queremos o instante. Ou melhor, queremos servir-nos do instante para nos fazer pensar.

Pelo lado dos sentidos, apelamos à visão. É sobretudo os olhos que vão funcionar. Num tema como este o som poderia ser um elemento agregador, espetacular mesmo, mas não. Mais do que ouvir, pretende-se que sinta o que vê, daí a ausência de qualquer elemento sonoro.

Foi com este objetivo que trabalhamos a “palestra”. Há um jogo simbólico que decorre a vários níveis, e são esses que queremos que sinta, que pense e que faça o seu próprio texto, a sua “palestra”.

E deixamos a todos um outro jogo, mais fácil, mais concreto, mais imediato. Jogando com a onomatopeia do “sem” palavras da Palestra, mudemos para “Palestra Cem palavras” e vamos tentar, após a visita, escrever Cem palavras que com ela se relacionem. Nós damos o mote: Ira, Raiva, Morte, Guerra, Ódio… já só faltam noventa e cinco. Aceitam o desafio?»

 

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